Líderes em Transição

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As Organizações buscam modelos de gestão e de liderança cada vez mais inclusivos, conectivos, responsáveis. A proposta é minimizar a distância de poder entre dirigentes e liderados e flexibilizar estruturas e processos para lidar com maior descontração, frente a incertezas do ambiente e das relações. São demandas universais; o que muda não é o rumo da mudança, mas o ritmo que cada Organização consegue imprimir ao seu processo de transição.

Nesse contexto, os estilos das liderança das empresas, de centralizadores e autoritários em décadas anteriores, transitam para comportamentos cada vez mais participativos, formadores. Nas típicas empresas brasileiras, essa transformação – mesmo difícil – pode ser ainda mais surpreendente.

Gerencio um banco de dados de Estilos de Liderança, desde 98. Ele inclui avaliação de mais de 10000 líderes, avaliações essas dadas pelos melhores juizes de suas práticas gerenciais, ou seja, seu grupo subordinado, através de ferramenta que disponibilizo no site wwww.quotamais.com.br

Enquanto o estágio de paternalismo se distancia – cada vez menos freqüente o estilo Afetivo lado a lado com Autoritário – o banco de dados aponta a evolução crescente de estilos de alta alavancagem de mudança: Diretivo (dá direção, esclarece regras do jogo) e Visionário (sustenta uma visão futura atraente, mobilizadora).

Paralelamente, também por pesquisa no banco de dados, decresce a frequência de comportamentos Modeladores (rigor com padrão exclusivo) e se estimula, cada vez mais, o aprendizado e a ousadia das equipes. Tempos modernos exigem investimento em recursos humanos, de forma planejada e eficaz, e líderes coaches ganham diferenciação.

Curiosamente, o estilo de ausência de posicionamento – o chamado Laissez-faire – também tem aumentado no decorrer dos últimos anos. Contrariamente a se acreditar que esse comportamento não tem hoje espaço nas Organizações em desenvolvimento, o Laissez-faire é pontuado sempre que um grupo ou um colaborador necessita de uma orientação ou um posicionamento e não encontra resposta. Essa ausência da liderança pode ser explicada pelo aumento da demanda sobre os líderes (tantas novas responsabilidades paralelas), seja pela intenção de dar autonomia, sem, no entanto, ter investido no amadurecimento da equipe.

Tempos de mudança, de transição cultural. A dança dos estilos de liderança se harmoniza com o discurso de compartilhamento e transparência. Em algumas Organizações, com sucesso; em outras, com reserva, perdas.