A sabedoria de flexibilizar Estilos de Liderança

A business woman writing on whiteboard with a highlighter while explaining idea to colleagues

 

Prometi voltar com um post sobre como flexibilizar Estilos. Lembra-se da importância de não se deixar ser carimbado como o cara que só sabe apagar incêndio?

Pois bem! Aqui vai um aprendizado que ajudou muito minha carreira, embora pudesse ter chegado um pouco mais cedo.

Nosso comportamento é regido por dois elementos fundamentais: NÓS mesmos, com nossas crenças, motivações, interesses e características próprias, e a SITUAÇÃO, com todas as suas peculiaridades.

Como tudo na vida, é preciso manter o equilíbrio e trabalhar atendendo a um e a outro, com sabedoria. Ou deixar a situação de lado, em contextos de alta discrepâncias.

Suponhamos que você está trabalhando com foco em uma demanda que a situação apresenta e que está muito distante do que suas características pessoais podem oferecer. O que acha que acontece no curto ou médio prazo?

Veja, por exemplo, o caso de um engenheiro civil, trabalhando em uma grande obra de infraestrutura, em Porto Velho, Roraima.

Por característica pessoal, ele é do tipo reflexivo, analítico. Quer sempre compreender como certos padrões se influenciam mutuamente; não inicia suas atividades enquanto não tiver clareza dos resultados a serem alcançados. Precisar considerar todas as variáveis antes de decidir; investe em um bom planejamento.

Na dinâmica da execução no campo, ele é pressionado para ser mais ágil e prático. Embora traga qualidade às decisões, ele consome mais tempo do que o esperado pelos colegas e chefe, o que gera pressão e problemas de relacionamento.

Com a prática, esse engenheiro pode ganhar mais agilidade, mas pode também se ressentir do stress da cobrança por resultado imediato e ritmo intenso, permanentemente. 

Um outro exemplo, de um engenheiro mecânico, responsável pela manutenção e controle dos equipamentos da linha de produção de uma fábrica de cosméticos.

Dada à falta de investimentos em modernização dessa unidade, o trabalho é exaustivo, exige muita atenção, precisão e criatividade. Pois bem, o este engenheiro tem o relacionamento interpessoal como seu ponto forte. Ele extrai prazer e energia da convivência com o pessoal da sua equipe. Ele quer sempre compreender os sentimentos dos outros, seus objetivos e dificuldades, e quer que eles compreendam os seus.

Ele sabe que esse tipo de proximidade implica uma certa dose de risco. Em resumo, o contexto pede foco no resultado e o engenheiro tem foco em pessoas. O que pode acontecer?

Se você der atenção às suas características e elas forem conflitantes com o contexto, o provável é que, no médio prazo, isso gere insatisfação profissional significativa que afeta performance e até autoestima.

Então, como equilibrar expectativas pessoais e exigências do contexto, considerando que nem sempre a questão é mudança de emprego ou busca de outras funções?

A primeira providência é mandatória: investir na compreensão desses dois “senhores” que tanto impacto têm no nosso comportamento e na nossa satisfação: EU mesmo e o meu CONTEXTO de trabalho. Faz sentido. Mas não é simples.

Ampliar o autoconhecimento evita entrar de peito aberto em um contexto que não tem a ver com o nosso modo de ser e que pode resultar em insatisfação e baixo desempenho. Pode também, por outro lado, facilitar nossa convivência em contexto não tão favorável, porque saberemos como lidar com ele e até transformá-lo para melhor.

Paralelamente, é preciso investir no entendimento do contexto organizacional e suas peculiaridades, suas necessidades, seus personagens. Ao engenheiro típico provavelmente será mais fácil acessar as dimensões técnicas da área e da empresa, mas ele precisará também mapear as dimensões da dinâmica das relações, o lado soft, como é chamado: quem são os profissionais da equipe, estágio de maturidade desse time, o perfil e expectativas do chefe, os desafios de curto prazo da empresa e sua visão de futuro, o momento de resultado, as relações entre áreas, a imagem da empresa no mercado, o perfil do cliente e seu grau de satisfação, a cultura da empresa e suas necessidades de mudança. Isso exige olhar atento, interesse em aprender e diálogos sistemáticos com os diferentes interlocutores. Isso fará toda a diferença para a conquista do resultado através das pessoas.

Quantas vezes já não ouvimos profissionais se queixando de terem sido demitidos, sem ao menos saber a razão. Bem, um dos prováveis porquês é a falta de percepção dos sinais que já apontavam problema. Muitas vezes os sinais estão presentes e não temos sensibilidade e preparo para percebê-los. As dinâmicas organizacionais são complexas, o que eleva o grau do desafio da liderança. Nada é cartesiano, como muitos de nós gostaríamos que fosse.

Sábio é aquele que se conhece bem e que tem uma boa leitura de ambiente. Ele fará as melhores composições.

Portanto, aqui vai uma primeira dica importante: se você ainda não parou para refletir sobre quem é você e qual o seu contexto de trabalho, suas conexões e oportunidades, está na hora de fazer isso. Procure pessoas para compartilhar suas percepções; sempre é rico ampliar perspectivas e novos olhares sobre coisas importantes da nossa vida.

Sendo líder de pessoas, nossa responsabilidade aumenta. É preciso investir na evolução contínua e isso exige paradas sistemáticas para reflexão, compartilhamento e aprendizagem.