Meu neto Davi e o xadrez

Do nada ele vai e volta. Ele vai e volta. Alguma coisa lhe atrai. Algum coisa o impede de sair daquele espaço. Ele vai e volta. Vencido pela curiosidade e pela atração irresistível ele se ajeita frente ao tabuleiro. Ele não joga as peças no chão, não sai correndo com uma delas. Está parado, uma raridade em seu curto histórico. Ele parece refletir prestes a fazer uma escolha. Um movimento. Não um movimento qualquer… seu primeiro lance em sua vida. Uma decisão que só a ele pertence. Ele olha e parece ter noção das dimensões de seu campo de descoberta. Ele escolhe uma peça. A torre!! E como se estivesse no alto dela, olhando o campo inimigo, ele prende a peça com a ponta dos dedos, como fazem os jogadores de xadrez. Titubeia, reconsidera … E então move a torre agora num movimento certeiro e firme.  Não há mais volta. A decisão e suas consequências estão definidas. Sua mãe interrompe a cena. Mas ela já está registrada para sempre. 
O avô admirado já se imagina jogando com ele. O avô já se imagina jogando contra um grande mestre do xadrez. 
9/5/20

O encontro de Lemann e Benchimol

Jorge Paulo Lemann e Guilherme Benchimol fizeram um diálogo muito interessante na Expert 2019.
Provocados para relatar o que consideram o mais importante para o sucesso de um empreendimento, ambos relataram a construção de uma Cultura forte dentro da empresa e contratar pessoas alinhadas a ela. “A Cultura é uma das coisas mais importantes de uma empresa. Acompanhamos muito as pessoas que nós contratamos e treinamos com a cultura da empresa. É isso que vai tornar uma companhia mais duradoura”, disse Lemann.
“É super importante sonhar grande, mas você pode chegar lá de várias maneiras e a Cultura é essa forma”, afirmou Benchimol. O CEO da XP Inc.  revelou que a Cultura criada por Lemann e seus sócios, em todos os empreendimentos realizados (Lojas Americanas, Ambev, Heinz)  foi uma das grandes inspirações para criar a XP.
“Em termos de Cultura a XP aprendeu um pouco conosco, mas nós temos muita a aprender com a XP. Essa aproximação que a XP tem com o cliente nunca foi o nosso forte. Sempre fomos super eficientes em produzir e cortar custos, mas nunca fomos bons na aproximação com o cliente. Estamos correndo atrás disso e também de tecnologia”, afirmou Lemann. Bonito assistir depoimentos dessa natureza. Humildade de quem considera que tem muito a aprender. Depois, ainda no palco, foram jogar uma partida de ping-pong para homenagear Lemann que já foi campeão brasileiro de tênis.

O livro que levei para a Patagônia

Na ida para Buenos Aires comprei o livro “O Poder do Hábito”, de Charles Duhigg.

Hábitos como ler, assistir à TV ou escovar os dentes fazem parte de nossa vida. Quase metade de nosso dia é composta deles – mais precisamente 40%. O autor apresenta um jeito simples e eficiente de mudar hábitos e, segundo ele, a melhor forma de mudar um hábito é substituí-lo por outro.

Alguns hábitos podem ser considerados angulares, isto é, se ele é estabelecido, outros vêm a reboque. Exemplo: a pessoa substitui um hábito de ver televisão por corrida na esteira. O novo hábito traz junto mais preocupação com a dieta, com a qualidade do sono, a pessoa fica mais paciente no trabalho etc. Esse hábito novo é, portanto, um hábito angular.

O que me chamou a atenção foi um capítulo sobre hábitos de organizações bem sucedidas. Em 87 a Alcoa apresentou resultados ruins e o presidente foi demitido. Convidaram Paul O’Neill, reconhecido como um bom gestor público (depois da Alcoa foi Secretário do Tesouro). Na assembleia, lotada de acionistas, analistas, repórteres (a Alcoa é um ícone em Wall Street, sendo sempre a primeira a apresentar seus resultados trimestrais) o novo presidente é apresentado.

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“Devemos ser a mudança que queremos ver no mundo”, Gandhi

gandhi

A caminhada seria longa. Era uma marcha de protesto contra a dominação inglesa.

A multidão aumentava a cada povoado; eram muitos os carentes e muitos os que queriam denunciar seu inconformismo. Era uma luta de quilômetros, força coletiva, ideais e corações. Era uma marcha de fé e de passos cansados.

O sal era a questão. O preço do sal era o símbolo de tudo o que era exorbitante, aos olhos da Índia dominada e pobre. A marcha estava programada para atravessar tão longo percurso e terminar na areia da praia, onde o sal, brilhante e claro, se exibiria, na sua plenitude, como dádiva dos céus, ofertada a todos os povos. De graça! Continue reading

“Sou melhor sonhador do que executor”, Jorge Paulo Lemann

Assim se define Lemann, dono da maior fortuna do Brasil.

É o Líder Visionário se avaliando com a segurança de quem se conhece e soube fazer as escolhas certas. Lemann afirma ter se cercado de pessoas competentes, com perfil de melhor executor do que ele.

Está falando dos seus sócios, dos executivos das suas empresas, enfim, de outros líderes com competências complementares.

Está falando provavelmente  de Líderes Diretivos, focados na orientação para acontecer, para sustentar o ritmo e o rumo do que foi sonhado.

E dessa parceria nasceu um colosso empresarial, com ramificações no mundo todo.

Feliz de quem tem a humildade de reconhecer seus limites. E de acreditar que Liderança nas organizações se dá na complementariedade, no coletivo.

 

4 razões para que engenheiros façam este investimento

Ontem resolvi comprar um aspirador de pó.

Entrei na internet, fui até o Google e apareceram 13 páginas com 126 resultados.

Hoje entro na minha página do Facebook e, na coluna da direita, aparecem anúncios de aspirador de pó.

Aí passo a ler um artigo e, no meio dele, ops! anúncios de aspirador de pó. Uai! Como sabem que estou pensando em comprar um?

Porque eu contei, quando pesquisei aspirador de pó no Google.

A Netflix faz a mesma coisa. Com base nos filmes que você já viu sugere apenas filmes que tem a ver com suas escolhas anteriores. E podemos esticar essas ações de marketing para outros tantos veículos da mídia online.

Hoje, o normal é esperar conteúdo personalizado, que se baseia na informação acumulada sobre você. Você, provavelmente, já estranha quando a mensagem que chega até você não lhe diz respeito.

Mas, é bem provável que o programa de desenvolvimento de lideranças oferecido pela sua empresa não o conheça assim tão bem como indivíduo.

O modelo padronizado e genérico, aplicável a todos, é de uma simplicidade tentadora, mas bate de frente com duas realidades: cada líder lidera de um jeito e técnicas empregadas por um não servem necessariamente para o outro.

Mas poderia ser de outra forma? Será que o desenvolvimento de lideranças deveria ser adaptado a cada indivíduo?

A resposta é sim, desde que a liderança não se ajuste a “melhor prática”, mesmo para a maioria; e que seja viável oferecer um programa com conteúdo de capacitação diferenciado para cada tipo de líder.

O programa apresentado no meu livro “De Engenheiro a Líder, no melhor Estilo!” tem conteúdo e suporte para ser considerado como um programa de liderança individualizado.

Veja porque:

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As Palavras de Temer

Que discurso é esse?

Não quero aqui um posicionamento político ou partidário. Já temos esgotado argumentos e contra argumentos para defender o que acreditamos de bom para o Brasil.

Não quero aqui meu parecer sobre o político Temer, ou sobre esse homem que agora assume a gestão do país. Deixo isso para tantas outras conversas e especulações.

Quero aqui somente uma reflexão sobre o “Discurso Temer”, neste 12 de maio.

Que estilo de liderança esse pronunciamento revela? Que formato de líder esse pronunciamento assume?

Na classificação que utilizo no livro “De Engenheiro a Líder, no melhor Estilo!”, trata-se claramente de um discurso Diretivo e Visionário.

Diretivo porque explicita detalhadamente as bases com que se pretende governar: resgate da confiança, diálogo como ferramenta, independência e harmonização dos poderes, valorização das relações empregado-empregador, o trabalho como direito pessoal e recurso de alavancagem da economia, preservação dos programas sociais bem-sucedidos, continuidade da atuação da Lava Jato, “Ordem e Progresso”. E para isso tudo, “temos pressa”.

O líder Diretivo deixa claro o caminho de atuação pretendido para favorecer alinhamento e força no movimento coletivo da mudança. Aos novos ministros presentes no salão do pronunciamento – e aos tantos ouvintes por todo o Brasil – foi ficando claro o rumo e o ritmo pretendido pelo orador. Esse, de forma moderada e hábil, foi tecendo o seu recado.

Ao lado do Diretivo, um segundo estilo de liderança teve destaque: o Visionário.

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Os deputados e nosso jeito brasileiro

“Voto pelo meu filho que vai nascer”.

“Voto pela minha esposa, pelo Gabriel, pela Letícia…”.

“Em homenagem a minha mãe, de 90 anos”.

Frases como essas – e outras tantas parecidas – ilustraram as aparições dos deputados na votação quanto à continuidade do processo de impeachment.

O resultado da votação foi aplaudido por muitos e questionado por outros. Mas as frases citando “família” ganharam espaço nas redes sociais e nas conversas.

No geral, questiona-se o conteúdo delas. Afinal esperamos que nossos representantes assumam posição pelo país e por nós eleitores. Espera-se que tenham estudado a questão profundamente e construído a “melhor resposta”.

Mas isso é Brasil!

Aqueles que foram honestos nas suas falas, falaram porque o coração pediu. Aqueles que queriam somente impressionar as plateias atentas do país inteiro, falaram o que achavam que geraria impacto. Aqueles que imitaram os primeiros a falar, entenderam que as frases eram boas e as repetiram.

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O que ainda não lhe contaram e você deveria saber…

O Engenheiro interessado na sua evolução como líder, e como profissional de sucesso, precisa ter informação atualizada de como está atuando na gestão da sua equipe.

E quem você acha que pode lhe dizer, com propriedade, como você age no dia a dia?

Claro! Os integrantes da sua equipe. São eles que mais convivem com você nas relações de trabalho e recebem o impacto da sua maneira de atuar.

Se quisermos saber de você, devemos perguntar a eles.

“Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo”, Hermann Hesse. É isto que as avaliações feitas pelos integrantes das nossas equipes fazem pelos líderes.

Jean Paul Sartre dizia que não importa o que as pessoas nos fazem, e sim o que nós fazemos com o que as pessoas nos fazem. Vamos tomar a liberdade de adaptar esta frase, dizendo que “não importa o que as pessoas nos digam; importa o que nós fazemos com o que as pessoas nos dizem”.

Quando o que recebemos está de acordo com o que esperávamos (percepção similar) ou como que desejávamos (expectativa), falamos que o feedback é positivo e o acolhemos facilmente.

Ante um feedback “negativo”, a primeira reação normal e humana é a negação; questionamos a metodologia, o preparo da equipe para avaliar etc. Mas será preciso aprender a lidar com as verdades da vida, quando essas não nos rendem homenagem. É aí que aprendemos.

A Avaliação de Estilos de Liderança é uma ferramenta estratégica para o autoconhecimento do líder. São aspectos do nosso comportamento que podem ser mensurados e então trabalhados. Afinal, só podemos melhorar aquilo que pode ser medido. E, para nós engenheiros, isso ajuda muito.

Tendo oportunidade não deixe de realiza-la.

 

O perfil de motivo de Amélia, a deusa da luz

Amelia Earhart foi a primeira mulher a completar a travessia do oceano Atlântico pilotando um avião.

Este feito fez com que se tornasse uma celebridade nos Estados Unidos, onde passou a ser chamada de “deusa da luz” devido a sua ousadia e carisma.

Casada com George Putnam, um magnata do mercado editorial, e tendo o piloto Gene Vidal como seu grande amigo, Amelia decide, em 1937, embarcar na mais arrojada de suas missões: dar a volta ao mundo em um voo solo.

No filme uma cena que caracteriza muito bem seu perfil de motivo (superação):

Amélia (Hilary Swank) está com o marido George Putnam (Richard Gere) e ele sugere que ela pare de ousar (viagens ao redor do mundo, recordes etc).

Ela pensativa responde: “e se eu não faço para mostrar ao mundo? E se eu faço para mostrar a mim mesma?”